Missão Nova Jerusalém

"Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho." Mc 16,15

Lendo um livro esta semana,um capítulo me chamou muita atenção ao ponto de me emocionar.Por isso,achei que poderia vir ser uma bênção postar esse capítulo.
Essa história traz para os dias de hoje o acontecido narrado no livro Marcos 5 a partir do verso 22. Leia essa acontesido na Bíblia .
Wallace era um homem importante.O tipo de homem que você encontraria conduzindo a oração numa sessão solene ou servindo como presidente de algum clube importante.
Ele usava o título de colarinho sacerdotal e tinha as mãos macias,sem calos.
Tinha um bom gabinete logo ao lado do templo.Sua secretária era um tanto rançosa, mais ele não. Era dono de um sorriso cálido que derretia a apreensão da pessoa quando ela atravessava a porta do seu gabinete.Ele se sentava numa cadeira giratória de couro e tinha diplomas na parede.Seu jeito de ouvir tornava a pessoa disposta a contar segredos que jamais havia contado a quem quer que fosse.
Era um bom homem. Seu casamento não estava sendo tudo o que poderia ser, mais era melhor que da maioria.Sua igreja estava sempre cheia.Seu nome era respeitado.Gostava de jogar golfe e a igreja havia comprado um título do clube de campo para comemorar seu vigésimo com a congregação.As pessoas o reconheciam em público e afluian para ouvi-lo na Pascoa e no Natal. Seu fundo de aposentadoria ia crescendo e ele estava a menos de uma década de pendurar as vestes sacerdotais e acomodar-se num outono de manhãs suaves e bons livros.
Se cometia algum pecado,ninguém o sabia.Se tinha medo,ninguém ouvia nada a respeito -o que pode ter sido o seu mais grave pecado.
Wallace amava as pessoas.Nessa manhã ,contudo,ele não quer saber de gente.Quer está a sós.Chama a secretária pelo interfone e avisa que não vai receber nenhum outro chamado pelo resto do dia.Ela não estranha.Ele esteve no telefone a manhã toda.Ela acha que ele precisa de tempo para estudar.Está parcialmente correta.Ele esteve a manhã toda e precisa realmente de tempo.Não de tempo para estudar, entretanto.Tempo para chorar.
Wallace olha a foto de vinte por vinte cinco centímetros que fica no aparador de mogno atrás da sua escrivaninha.Através de olhos lacrimejantes ele fita a filha de doze anos .Aparelho nos dentes.Duas maria-chiquinhas.Sardas.Ela é um reflexo de sua esposa- Olhos azuis,cabelo castanho,nariz arrebitado.A única coisa que pegou do pai foi o coração.É a sua dona.E o pai não tem a mínima intenção de pedir-lhe de volta.
Ela não é a sua única filha,mais é a caçula.è a filha única.Ele havia construído uma cerca protetora em volta de sua garotinha.Talvez foi por isso que nos últimos dias ele houvesse sofrido tanto.A cerca havia ruído.
Tudo começou seis dias atrás.Ela veio da escola para casa mais cedo,febril e inrritadiça.Sua esposa havia colocado na cama,achando que era gripe.Durante a noite a febre subiu.Na manhã seguinte levaram-na as pressas para o hospital.
Os médicos estavam perplexos.não podiam precisar qual era o problema.podiam apenas concordar em um ponto - ela estava mal e piorando cada vez mais.
Wallace jamais havia sentido tamanha impotência.Não sabia como enfrentar sua dor .Estava tão acostumado a ser forte que não sabia ser fraco.Assegurava a todos quanto quantos chamavam que a filha estava bem.Tranquilizava a todos quanto perguntavam dizendo que Deus era um Deus grandioso.Tranquilizava a todos,menos ele próprio.
No íntimo,suas emoções eram um rio possante.E sua represa estava começando a trincar.Foi a chamada do médico nessa manhã que o rompeu´´ Ela está em coma``.
Wallace desliga o telefone e avisa a secretária para não transmitir as chamadas.Inclina-se,apanha a foto e segura-a nas mãos.Subitamente as palavras rodopiarem sua cabeça como um carrocel.´´Não é justo,não é justo``.
Nada está certo a respeito disso.Nada.´´Por que uma garotinha de doze anos?Por que ela,por misericordia?``Seu rosto se endurece quando ele olha pela janela na direção do céu cinzento.
- Por que não leva a mim? - grita.
Ele se endireita.Caminha até a mesinha de centro na frente do sofá e apanha uma caixa de lenços de papel que mantém a mão para quem vem aconselhar-se.Ao assoar o nariz,olha pela janela para o pátio da igreja.Um senhor idoso está sentado lendo um jornal.Outro entra, senta-se ao lado do primeiro,e joga migalhas de pão sobre as pedras.ouve-se o farfalhar de asas quando um bando de pombos sai adejando do telhado e arrebata o alimento.
Vocês não sabem que minha filha está morrendo?Como podem comporta-se como se não houvesse nada errado?
Ele está pensando a respeito da filha.na primavera ela costumava passar por ali todos os dias quando vinha da escola para casa.Esperava no pátio para ele acompanhá-la à casa.Ele a ouvia afugentando os pombos lá em baixo e sabia que era hora ir embora.Parava o que estivesse fazendo,postava-se junto a essa mesma janela e a observava.Observava-a andar equilibrando-se na guia que cercava o jardim.Observava-a panhar uma flor silvestre no gramado.Observava-a rodopiar e rodopiar até ficar tão tonta que caia de costas e via as nuvens rodopiarem no céu.
- Oh princesa, dizia. - minha pequenina.
Então empilhava seus livros e dores de cabeça sobre a escrivaninha e descia ao encontro dela.
mais não é primavera e a filha não está no pátio.É inverno,sua pequenina está quase morta e os dois velhos estão sentados no banco.
- Querida,querida princesa.
Derepente um terceiro homem entra no pátio.Ele diz algo aos outros dois.Então os três saem apressados.Deve ser alguma briga,pensa Wallace consigo mesmo.Então ele se lembra.
- O mestre.Ele chegou.
Quase se havia esquecido.Jesus ia chegar hoje.Quando Wallace estava saindo de casa nessa manhã, o vizinho perguntou se ele ia ver o polémico mestre.
Intimamente ele havia caçoado da ideia.
- Não, estou muito ocupado hoje - havia respondido com um aceno sabendo que mesmo num dia tranquilo ele não reservaria tempo para ir ver um mestre itinerante.Especialmente esse.
As publicações da central haviam qualificado esse sujeito de excêntrico.Algumas chegaram a dizer que ele era louco.Mais as multidões o cercavam como ele fosse um presente de Deus para a humanidade.
Eu vou.Wallace ouvi novamente a resposta do vizinho dentro da cabeça.
´´E´´, disse Wallace para si mesmo.´´Você também assina o Diário popular.´´
´´Dizem que ele é capaz de curar...``,lembrou-se de seu vizinho ter dito.
Wallace endireitou-se.Em seguida relaxou.´´Não seja bobo.``
´´Curandeiros milagrosos são um insulto à nossa profissão,``havia declarado durante uma palestra que fizera no seminário no ultimo outono.´´Parasitas do povo, charlatães da igreja,profetas atrás.``Ele havia visto estes tipos na televisão,enfiados dentro de jaquetões,ostentando o sorriso de manequim e rostos empoados.Ele meneia a cabeça e caminha de volta à escrivaninha.Apanha a fotografia.
Fita o rosto da filha que está preste a ser-lhe arrebatada.
´´Dizem que ele é capaz de curar....```
Wallace põnhe-se apesar as suas opções.´´Se eu for e me reconhecerem perderei meu cargo.Mas se ela vier a morrer mesmo podendo ele fazer alguma coisa...``A pessoa chega ao ponto em que o desespero está um degrau acima da sua dignidade.Ele dá de ombros.´´Que escolha tenho?``
Os acontecimentos daquela tarde redirecionaram a vida de Wallace.Ele contava a história sempre que tinha oportunidade.
Dei a volta na rodoviária três vezes antes de encontrar um lugar para estacionar.O vento frio cortava-me as orelhas enquanto eu revirava os bolsos a procura da ficha para colocar no medidor de estacionamento.Abotoei meu casacão até o nó da gravata, voltei-me de encontro ao vento e caminhei.
Passei pela vitrine de uma loja de penhores ainda enfeitada para as festas de fim de ano.Alguém saiu de um bar quando eu passava por ali.Uns dez ou mais adolescentes de calças justíssimas reclinavam-se contra um muro de pedras.Um deles atirou um toco de cigarro aos meus pés.Três homens de jaqueta de couro e calças de brin aqueciam as mãos sobre o fogo aceso num tambor de quarenta litros.Um deles riu quando passei.
´´Olhem só,um cachorro de raça na fábrica de sabão.``Não me voltei.Se ele estava falando a meu respeito,eu não queria saber.
Senti-me desajeitado.Havia muitos anos desde que eu estivera nessa parte da cidade.Relancei os olhos pelo meu reflexo na vitrine de uma farmácia.Casaco comprido de lã.Sapatos finos.Terno cinza.Gravata vermelha.Não era de admirar que eu estivesse fazendo as cabeças virarem.Suas perguntas estavam escritas em seus olhos.´´o que traz o Dom Elegante a estes lados?``
A rodoviária estava super lotada mau consegui esgueirar-me pela porta.
Uma vez dentro eu não conseguiria ter saído.Cabeças subiam e abaixavam como rolhas num lago.Todos tentavam atravessar o aposento até o lado onde os passageiros desembarcados entravam no terminal.Dei um jeito de me espremer pelo meio deles.Estavam apenas curioso;eu, desesperado.
Quando cheguei à janela, eu o vi.Estava em pé perto do ónibus.Só havia conseguido adiantar-se uns dois passos contra o muro de gente.
Ele parecia normal demais.Usava uma jaqueta de veludo cotelê,do tipo que tem remendos nos cotovelos.suas calças não eram novas mais eram boas.Sem gravata.O contorno do couro cabeludo entrava um pouco antes de tornar-se uma torrente de caracóis castanhos.Eu não consegui ouvir-lhe a voz mais podia ver seu rosto.As sobrancelhas eram espessas. Ele tinha um brilho nos olhos e um sorriso nos lábios - como se estivesse vendo alguém desembrulhar o presente de aniversário que ele havia acabado de lhe dar.
Era tão diferente do que eu havia antecipado e precisei perguntar a uma senhora ao meu lado se era ele mesmo.
-É ele - sorriu ela. - É Jesus.
Ele inclinou-se e desapareceu por um minuto e reapareceu segurando uma criancinha.Sorriu.Com as mãos entorno do peito do garotinho,ele o ergueu bem alto no ar e segurou-o ali.
As mãos eram vigorosas e esguias.Alguém me havia dito que Jesus cresceu no estado de Mississipi - filho de um mecânico em Tupelo.Ele abaixou o garotinho e começou a caminhar em direção da porta.
Eu sabia que,se ele entrasse na rodoviária, jamais conseguiria fazer com que saísse.Empurrei as mãos de encontro ao vidro da janela e pus-me a esgueirar ao longo dela.As pessoas reclamavam mais fui-me movendo mesmo assim.
Quando à entrada,Jesus também chegou.Nossos olhos se encontraram.Fiquei paralisado.Acho que não havia pensado no que diria.Talvez tivesse achado que ele me reconheceria.Talvez tivesse pensado que ele me perguntaria se havia algo que ele pudesse fazer.´´Oh,minha filha esta doente e achei que você poderia fazer uma oração...``
Não foi assim que aconteceu.As palavras se engarrafaram na minha garganta.Senti os olhos lacrimejarem, o queixo tremer,e os joelhos atingir o chão desigual.
- É a minha filha , a minha menininha...ela está muito doente.Será que podia fazer o favor de toca-la para que ela morra?
Arrependi-me das palavras assim que as disse.Se ele for um homem,então pedi o impossível.Se for mais que homem,que direito tenho eu de fazer tal pedido?
Não me atrevi a erguer o olhar.Estava envergonhado.Se a multidão quisesse ir a algum lugar, teria de passar por volta de mim.Eu não tinha coragem de levantar o rosto.
Acho que ele sabia que eu não tinha.e o fez por mim.
Senti os seus dedos debaixo do meu queixo.Ele ergueu-me a cabeça.não precisou erguê-la muito.Havia-se joelhado minha frente.Olhei dentro dos seus olhos.o olhar desse jovem pregador abraçou esse velho pastor como os braços de um velho amigo.Eu soube,então,que conhecia esse homem.Em alguma parte,havia visto esse olhar.Eu conhecia esses olhos.
-leve-me a ela. - Sua mão moveu-se por baixo do meu braço.Ele me ajudou a me levantar.-Onde esta seu carro?
- Meu carro?Por aqui!- Agarre-lhe a mão e pus-me a lutar para abrir caminho através da multidão.Não foi fácil.
Com minha mão livre eu abria caminho entre as pessoas como se estivesse afastando pés de milho no milharal.Rostos caíam sobre nós.Jovens mães querendo uma bênção para os filhos.Rostos velhos com bocas encovadas querendo escapar da dor.
De repente,perdi a sua mão.Ela escorregou da minha.Voltei-me e vi-o parado,olhando.Sua parada abrupta surpreendeu a multidão.Ela silenciou.percebi que o rosto dele estava pálido.Disse algo com se estivesse falando consigo mesmo.
-Alguém me tocou.
-O quê?- perguntou um dos seus próprios homens.
Alguém me tocou.
Achei que ele fazia uma piada.Ele voltou-se,estudando devagar cada rosto.Por mais que eu tentasse não conseguia dizer se ele estava zangado ou encantado.estava procurando alguém que não conhecia mais que sabia que reconheceria quem era quando a vissem.
-Eu o toquei. - a voz estava do meu lado.Jesus voltou-se sobre os calcanhares.
-Fui eu.Sinto muito.-A cortina da multidão abriu-se deixando uma moça no centro da sena.Era magrinha quase frágil.Eu podia ter-lhe envolvido o antebraço com a mão e toca-lo o indicador com o polegar.Tinha a pele escura e o cabelo estava preso em centenas de trancinhas com pontas em cada ponta.Ela não tinha casaco.Apertou os braços de encontro ao corpo - mãos apertando os cotovelos ossudos tanto de medo quanto de frio.
- Não tenha medo - assegurou Jesus.- Qual é problema?
-Tenho AIDS(SIDA).
Alguém atrás de mim abafou uma exclamação.Diversas pessoas deram um passo para trás.
Jesus adiantou-se na direção dela.
-Conte-me a respeito.
Ela olhou para ele,olhou à volta para a aglomeração de gente,engoliu em seco e começou:
-Eu estava sem dinheiro.Os médicos disseram que era apenas uma questão de tempo.Eu não tinha para onde ir.Mas agora...
Ela abaixou os olhos e pôis-se a sorrir.Sorria como se alguém tivesse acabado sussurra-lhe uma boa notícia ao ouvido.
Olhei de novo para Jesus.Minha nossa,ele estava sorrindo também!Os dois ficaram ali e olhavam um para o outro,sorrindo como se fosse os únicos garotos na classe que soubessem a resposta à pergunta da professora.
Foi então que vi o olhar novamente.O mesmo olhar que apenas momentos antes lhe havia achado quando ergui os olhos do chão.Aqueles mesmos olhos que eu sabia já ter visto, vi outra vez.Onde?Onde havia visto aqueles olhos?
Voltei-me e olhei para a moça.Por um momento ela olhou para mim.Eu queria dizer-lhe algo.Acho que ela sentia o mesmo impulso.Éramos tão diferentes,mais agora tínhamos tudo em comum:que estranho par formávamos!Ela com os braços pontilhados de picadas e amante da meia-noite;eu,com unhas e esboços de sermões limpos.Eu havia passado toda a vida dizendo às pessoas que não fossem como ela.Ela havia passado toda vida evitando Hipócritas como eu.Mais agora havíamos sido jogados juntos contra o inimigo da morte,esperando desesperadamente que esse pregador rústico pudesse dar um nó na ponta de nossas cordas esfrangalhadas afim de que pudéssemos nos aguentar por mais tempo.
Jesus falou:
-isto aconteceu devido à sua fé.Agora vá e goze a vida.
Ela resistiu a todo o esforço de esconder sua alegria.Sorriu,olhou de novo para jesus,pulou e beijou-o no rosto.
A multidão riu,Jesus corou, e ela desapareceu.
Eu não havia percebido, mais enquanto Jesus falava alguns outros homens tinham conseguido penetrar pela multidão.
Estavão em em pé atrás de mim.Quando os ouvir falar,imediatamente reconheci-lhes as vozes.Eram da minha congregação.
Um deles colocou a mão no meu ombro.
-Não há necessidade de incomodar mais este mestre,sua filha está morta.
As palavras me atingiram como dardos,mais Jesus as interceptou:
-não tenha medo,apenas confie em mim.
Os próximos momentos foram um dilúvio de atividades.
Disparamos através da multidão,pulamos no carro do homem que trouxe a notícia e voamos para o hospital.
A sls de espera estava cheia.Membros da igreja,vizinhos e amigos estavão reunidos ali.alguns choraram abertamente.Vi minha esposa, pálida e muda,sentada numas das cadeiras.Seus olhos estavam vermelhos.Sua mão tremia enquanto ela enxugava uma lágrima.
Quando entrei,veio gente me confortar.Jesus de um passo e colocou-se na frente deles.Eles se detiveram e olharam aquele estranho.
-porque estão chorando?-perguntou ele.-Ela não está morta,está apenas dormindo.
Ficaram atônitos.Sentiram-se insultados.
-Como se pode dizer algo tão insensível?Gritou alguém.
-Quem é você afinal?
-Tirem esse palhaço daqui!
Mais ir embora era a última coisa que Jesus tinha em sua palta.Ele voltou-se e dentro de poucos segundos estava em pé na frente do quarto hospitalar de minha filha.Fez sinal para que alguns de nós o acompanhássemos.Foi o que fizemos.
Nós seis nos postamos ao lado do leito de minha filha.O rosto dela estava acinzentado.Seus lábios secos e imóveis.Toquei-lhe a mão.Estava fria.Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa,a mão de Jesus estava sobre a minha.Com a exeção de um instante,ele jamais tirou os olhos da menina.mais durante aquele instante olhou para mim.olhou para mim com aquele mesmo olhar,aquele mesmo leve sorriso.estava dando outro presente e não podia esperar para ver a reação quando o presente fosse aberto.
-Princesa-as palavras foram ditas suavemente,quase num sussurro.-Levante-se!
A cabeça dela moveu-se de leve como que escutando uma voz.Jesus afastou-se.O tronco dela inclinou-se para frente e ela sentou-se na cama.Seus olhos se abriram.Ela se virou,colocou os pés descalços no chão e ficou em pé.
Ninguém se mexeu enquanto minha esposa e eu olhávamos nossa menina encaminha-se para nós.Abraçamo-la por uma eternidade -quase achando que não podia ser verdade,e não querendo saber se não fosse.Mais era.
-É melhor arrumar alguma coisa para ela comer - brincou Jesus com um sorriso.-provavelmente está faminta.-Em seguida,ele voltou-se para partir.
Estendia a mão e toquei-lhe o ombro.minha boa vontade estava em meus olhos.
-Deixe-me retribuir o favor.Posso apresentá-lo ás pessoas certas.Conseguirei convites para falar nos lugares certos.
-Vamos manter isso apenas entre nós,está bem?-E ele e os três amigos silenciosos saíram do quarto.
Durante semanas depois disso fiquei perplexo.oh,claro que sentia-me maravilhado e exultante.mais meu gozo estava salpicado pelo mistério.Por onde quer que eu fosse,via-lhe o rosto.Seu olhar me acompanhava.mesmo enquanto escrevo isto posso vê-lo.
A cabeça um tantinho inclinada.Uma perna chispa de antecipação debaixo das sobrancelhas grossa.Aquele olhar que sussurrava:´´Venha cá,tenho um segredo.``
Agora já sei onde tinha visto aquele olhar antes.De fato, vi-o novamente -diversas vezes.
Vi-o nos olhos de uma paciente cancerosa que visitei ontem.Calva por causa da quimioterapia.Olhos ensombreados pele moléstia.A pele era macia e a mão ossuda.Ela reconheceu-me quando acordou.nem mesmo disse alô.Apenas ergueu as sombrancelhas,deixou chispar aquela chispa e disse:
-Estou pronta Wallace.Estou pronta para ir.
Vi-o na semana passada quando falava num seputamento.O viúvo,um senhor de rosto enrrugado com cabelos brancos e óculos bifocais.Ele não chorava como os demais.na realidade em certo ponto acho que ouvi sorrir.Apertei-lhe a mão depois da cerimônia.
-Não se preucupe comigo -exclamou.Depois acenou-me para que me enclinasse a fim de que ele pudesse dizer-me algo ao ouvido.-Sei onde ela está.
Mas foi hoje de manhã que ouvi com mais clareza.Havia querido perguntar-lhe por dias,mais o momento certo nunca tinha chegado.Hoje cedo,chegou.À mesa do café somente nós dois,ela com seu cereau,eu com o meu jornal,virei-me para minha filha e perguntei.
-Princesa?
-Sim,papai?
-Como foi?
-Como foi o quê?
-Quando você já não estava aqui.Como foi?
Ela nada disse.Apenas voltou a cabeça de leve e olhou pela janela.Quando voltou-se para mim de novo a cispa estava lá.
Ela abriu a boca e depois fechou-a,depois abriu-a novamente.
-É um segredo,papai.Um segredo tão bom que não há palavras que o expressem.
Paz onde deveria existir dor.Confiança no meio da crise.Esperança desafiando o desespero.É o que esse olhar diz.É um olhar que conhece a resposta à pergunta feita por todo mortal:
-A morte tem a última palavra?
-posso ver Jesus piscar ao dar a resposta.
-Sobre tua vida jamais.

(SEIS HORAS DE UMA SEXTA FEIRA - MAX LUCADO )

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